Mostrar mensagens com a etiqueta Congresso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Congresso. Mostrar todas as mensagens

16.5.09

Atribuir vitórias

Atribuir e reivindicar pessoalmente vitórias é um dos past-times favoritos dos políticos indianos. O Congresso pode vir a ganhar com maioria absoluta, mas atribuir a vitória a Rahul Gandhi (ainda por cima por uma agência noticiosa governamental) é como atribuir a culpa pelo mau tempo ao preço do pão. Não há causalidade nem correlação.

O Congresso melhorou significativamente o seu desempenho no Utar Pradexe, mas foi principalmente pelo fraco desempenho do BSP de Mayawati, e não por mérito próprio ou do herdeiro dinástico.

7.5.09

Fase 4 - O factor Diskhit

In the fourth and penultimate phase of the 2009 Lok Sabha election, considered crucial for the ruling Congress party-led United Progressive Alliance coalition, an estimated 57% of electors turned up to vote in 85 constituencies across seven states and the national capital territory of Delhi.

E realizou-se hoje mais uma das cinco fases que marcam estas eleições, incluindo Nova Deli que não deverá fugir ao controle do Congresso, muito devido ao trabalho notável da Chief-Minister Sheila Diksht. Não há dúvida de que a capital indiana continua a sofrer de diversos problemas, incluindo um planeamento caótico, criminalidade em crescimento exponencial, problemas rodoviários e índices de poluição inéditos.

Mas é, ao mesmo tempo, das figuras políticas em que não só os delienses, mas também os indianos em geral, mais confiam. Os Commonwealth Games que se aviznham em 2011, bem como o Metro de Deli, o orgulho dos dilliwallahs (como são conhecidos os habitantes da capital), são as suas imagens de marca.

Não é propriamente jovem, e dada a sua população reduzida, Nova Deli não é um estado de peso no xadez político indiano, mas Dikshit tem tem ainda um futuro político considerável pela frente. Se tivesse menos dez ou quinze anos de idade, seria uma possível "prime-ministerial candidate".

28.4.09

Centrão

A sondagem do India Today que a Francisca Gorjão Henriques refere, bem como a do instituto CSDS (ligação no comentário do post), são demonstrativas do alargamento de um espaço ideológico moderado, de consensos, crescentemente partilhado pelo BJP e pelo Congresso, os dois partidos de governo de um sistema crescentemente bipolar.

Noutros comentários à imprensa, sublinhei que este espaço de consenso é especialmente visível em dois de três dimensões governamentais. Nos campos da economia e da política externa, tanto o Congresso como o BJP partilham, no geral, as mesmas orientações: aceleração das reformas de mercado, integração na economia global, trocas comerciais para acelerar a integração regional; e aproximação aos Estados Unidos, projecção de poder militar extra-regional, engagement com a China e containment do Paquistão.

Fundamentalmente, a intelligentsia de ambos partidos partilha os mesmos valores, a mesma educação, e a mesma moderação que é vital para se poder liderar em segurança um país tão diverso como a Índia. Esta continuidade, e alargamento do "centrão" ideológico indiano, explica-se também com o facto de o real poder de decisão económica e externa estar nas mãos dos burocratas, os quadros do Indian Administrative Service. Na Índia a classe política faz política no sentido reduzido do conceito - fala, ovaciona, negoceia, passeia. Quem governa são os burocratas, e esses convergem para além da ideologia.

A terceira dimensão, social, político-cultural e doméstica, tem sido foco de tensão e diferenças entre ambos os partidos, é verdade. Afinal, o BJP tem uma agenda nacionalista, religiosamente fundamentada. E o Congresso é um partido com DNA socialista, secularista. Mesmo aqui, no entanto, ambos partilham uma missão fundamental: a estabilidade e segurança interna. Nesse sentido, o BJP (um partido de classe média, comerciantes e funcionários públicos), embora refém das alas mais radicais do Sangh Parivar, a familia das organizações nacionalistas hindus, não se distancia assim tanto do Congresso. Ou não teria conseguido cumprir um mandato inteiro (1999-2004), com menos instabilidade e ameaças à segurança interna do que o governo de Singh tem enfrentado, desde então.

25.4.09

Em cartoon


Mulayam Singh, neste cartoon de 1999, o líder do Samajwadi Parti (SP), que tem a bicicleta por símbolo eleitoral. Guarda aqui o "Muslim Vote Bank", aludindo assim ao seu eleitorado predominantemente OBC (castas baixas) muçulmano, no Utar Pradexe, em rivalidade constante com o Bahujan Samaj Party (BSP), o partido de Mayawati e dos intocáveis dálitas que está actualmente no poder naquele estado.

Neste cartoon de 1999 é ainda o Congresso (INC) que lhe rouba os votos. Hoje o SP é... um aliado do INC, tendo o seu apoio sido fundamental para salvar o governo UPA de Manmohan Singh em Julho de 2008, compensando a retirada dos comunistas após o acordo nuclear com os EUA.